sábado, 9 de abril de 2022

O ÚLTIMO DIA DE CARLOS TAVARES

PRÉMIO AMIZADE 2017 DO FESTIVAL DE CINEMA DE AVANCA


Estávamos em 2017 e o Festival AVANCA comemorava 20 anos de intenso cinema.

Na sessão de abertura de mais uma edição dos “Encontros Internacionais de Cinema, Televisão, Vídeo e Multimédia”, entre os premiados do ano anterior, as imagens desses filmes, as palavras de todos os que foram subindo ao palco, a organização do festival atribuiu um Prémio Amizade.

Instituído para marcar a excelência de uma carreira e a amizade, colaboração e empatia com o Festival de Cinema, este foi sempre um prémio que teve o condão de distinguir personalidades e entidades muito diversas mas de extremo significado para o festival.

Em 2017 o Prémio Amizade foi atribuído a um empresário de Avanca, um amigo que ano após ano sempre ajudava e contribuía para a concretização e excelência do evento.

Carlos Tavares subiu ao palco, no ano em que o AVANCA comemorou os seus 20 anos de vida, recebeu o Prémio Amizade do ano e nas suas palavras ficaram espelhadas o seu agradecimento e empenho em continuar a colaboração e participação de sempre.

Tendo emigrado muito cedo, construído uma vida no Canadá, voltou à terra natal onde viu crescer a família, a empresa e onde novos projetos lhe ocuparam os novos dias.

Exímio na arte da carpintaria, foram as madeiras que lhe ocuparam a maior parte da sua vida e a base do seu projeto empresarial.

Agora, num momento em família, um acidente inesperado e a tragédia aconteceu. 

Carlos Tavares deixou o nosso mundo aos 60 anos.

A todos nós, mas sobretudo à família, faltará agora a sua bonança, o sorriso, o saber e a companhia.

O Festival de Cinema AVANCA, que este ano irá comemorar 25 anos e a sua 26ª edição, relembra o momento da atribuição do Prémio Amizade e expressa à família o profundo pesar por este trágico e inesperado momento.

terça-feira, 8 de março de 2022

“FOME DE VIAGEM” LEVA INÊS HOMEM DE MELO À FINAL DO FESTIVAL DA CANÇÃO

Com ascendência em Avanca e Aveiro, atuou no Drive In do Festival de Cinema AVANCA 2020


Inês Homem de Melo acaba de passar à final do Festival da Canção 2022 que a RTP está a promover.

Tendo a sua canção sido escolhida entre as 619 candidatas para uma das 4 vagas para além dos 16 convidados, Inês atuou na segunda semifinal. O conjunto da votação do público e do júri escolheu a sua canção para integrar as 10 canções que chegam à final do Festival da Canção.

É já na noite do próximo sábado dia 12 de março que voltará a ser possível ouvir “Fome de Viagem”.

Inês Homem de Melo é filha de Herlânder Marques, um dos fundadores do Cine Clube de Avanca, e de Helena Homem de Melo, que tendo estudado em Aveiro, tem nesta cidade a sua família.

Seguindo o caminho de seus país e das irmãs, Inês formou-se no Porto em medicina, trabalhando na área da psiquiatria no Hospital Magalhães Lemos.

Tendo paralelamente estudado canto lírico e canto jazz no Conservatório de Música do Porto, cantar tem sido uma companhia incessante da sua vida, onde também as viagens e a aprendizagem das línguas têm sido uma presença crescente. Inês fala fluentemente 4 línguas e tem viajado pelo mundo, tal como toda a sua família.

O tema “Fome de Viagem”, da autoria do compositor Pedro Marques e com letra assinada por Galileu Granito, resulta desta vivência. Cantada em oito línguas, surgindo num momento em que viajar pode ser finalmente um escape para estes dois anos de pandemia, a canção é quase um hino à alegria e ao multiculturalismo.

Em julho de 2020, em plena pandemia, o Festival de AVANCA aconteceu em formato Drive In. Antes das exibições dos filmes no ecrã gigante, aconteceram 4 concertos. Num deles, Inês atuou para uma numerosa audiência que, dentro dos seus carros, pode apitar e fazer sinais de luzes perante o desfiar surpreendente de uma memorável intervenção musical, inédita e premonitória.

Apaixonada pela “world music”, fazendo regularmente concertos, em 2017 gravou um álbum de fados depois de uma experiência a cantar todas as semanas numa conhecida casa de fados em Lisboa. A vida de Inês Homem de Melo tem sido marcada pelos dias passados entre a medicina e a noite pela música, dando continuidade a um pendor familiar onde a arte, as viagens e a medicina são uma presença comum e quase constante.

Inês Homem de Melo, psiquiatra, cantora e artista, com raízes em Avanca e Aveiro, vai subir ao palco do Festival da Canção este sábado e depois, poderá ainda subir ao palco da Eurovisão.

quinta-feira, 3 de março de 2022

A GUERRA RÚSSIA UCRÂNIA CHEGA AOS CINEMAS JÁ ESTE MÊS


“ESQUECIDO” foi premiado no Festival AVANCA

A guerra entre Rússia e Ucrânia começou e  ESQUECIDO é o primeiro filme a chegar aos cinemas portugueses sobre este confronto que tem já um histórico dramático.

Realizado por Daria Onyschenko, uma jovem e premiada realizadora da nova geração de cineastas ucranianas, este é um filme centrado na cidade de Luhansk, na época da sua ocupação por separatistas pró-russos.

No filme, a atriz Maryna Koshkina é uma professora de língua ucraniana, repentinamente obrigada a ensinar russo.

Daniil Kamenskyi, premiado como melhor ator no Festival Avanca, é um estudante adolescente de 17 anos, que ficou órfão entre a guerra, e é agora obviamente um rebelde.

Entre ambos, cresce uma tumultuosa paixão, pelo meio do avançar da ocupação.

No leste da Ucrânia, os confrontos faziam adivinhar a guerra que agora se vive.

Produzido pela Ucrânia e a Suíça, ESQUECIDO, ainda em Work in Progress, foi premiado como “Projeto de Maior Potencial Internacional” no Festival de Odessa.

Entretanto teve a sua estreia mundial na competição oficial do 35º Festival de Varsóvia, tendo sido distinguido com o Prémio Especial.

Em Portugal, estreou no festival AVANCA, onde o filme recebeu uma menção especial e o prémio para o melhor ator.

Na Ucrânia, ESQUECIDO foi o filme de abertura do histórico festival de cinema “Molodist”, tendo a Academia Ucraniana de Cinema distinguiu ESQUECIDO com o Prémio “Fight for Right” e Maryna Koshkina com o Prémio para Melhor Atriz.


Apropriadamente intitulado ESQUECIDO, lida com as muitas vítimas do já longo conflito russo-ucraniano, que acaba de ganhar uma aterradora dimensão. Um filme que penetra nas cidades do leste da Ucrânia, ocupadas por separatistas nas chamadas repúblicas de Oblast, de Donetsk e Luhansk.

A realizadora Daria Onyshchenko, natural de Kiev e formada na escola de cinema HFF de Munique na Alemanha, é já conhecida dos espetadores portugueses.

A sua primeira longa-metragem, EASTALGIA, foi exibida na competição do AVANCA 2013 onde ganhou o Grande Prémio e também o prémio para o melhor ator, o austríaco Karl Markovics, no papel de um velho pugilista. Com produção da Ucrânia, Alemanha e Sérvia, este filme foi uma revelação.

ESQUECIDO é a sua segunda longa-metragem. Em toda a sua filmografia, a Ucrânia e os caminhos de construção da Europa, estão sempre muito presentes.

A estreia do filme deverá decorrer no final do mês de março nos cinemas d todo o país, sendo distribuído pela Filmógrafo.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

ANTÓNIO CAVACAS, TERMINADA UMA “MISSÃO IMPOSSÍVEL”

A animação portuguesa, na esquina dos séc. XX / XXI, perdeu um dos seus melhores timoneiros.

Não consta que António Cavacas alguma vez se tenha preocupado em fazer um desenho ou animá-lo, mas sabemos como soube assumir como missão a força da animação.

Jurista, com um longo passado na banca, chega à Cooperativa Nascente e ao Cinanima e é ali que acontece o encontro modelar com o cinema de imagem a imagem.

De uma entrega total, transportou consigo o rigor da lei e das finanças em cada um dos seus múltiplos passos, ajudando a que Espinho se tenha assumido durante anos, como a centralidade do devir da animação portuguesa.

Sempre presente, longe da ribalta, pugnando continuamente pela verdade dos acontecimentos, ajustando e consertando conflitos, promovendo aproximações, o seu trabalho infindável foi marcante e crucial para que a excelente equipa de trabalho do mais antigo festival de cinema em Portugal, se pudesse manter numa atividade cimeira, inspiradora e reconhecida.

O seu papel conciliador, sempre atento e construtivo, ajudou a manter o Cinanima, mesmo quando forças políticas teimavam aberrantemente em remar para outro lado. 

No site do seu festival, marcadamente se lê:

“Homem culto, leitor assíduo de autores clássicos e contemporâneos, a par de cinéfilo e grande conhecedor do cinema de animação, era pessoa de trato fácil e desprovida de pretensões que nada acrescentariam às suas naturais competências pessoais e aos seus notórios princípios humanistas.

Membro de diversas associações espinhenses, foi no âmbito da Cooperativa Nascente que mais e melhor deu provas das suas capacidades, tendo contribuído decisivamente para a implantação e desenvolvimento desta entidade cultural, desde a década de 80 do século passado.

Aqui exerceu as mais diversas funções e assumiu múltiplas responsabilidades, que aumentaram com a morte de António Gaio, de quem foi colaborador direto durante muitos anos e nas mais variadas áreas da Nascente, em particular no grande desafio anual de garantir a realização de sucessivas edições do CINANIMA, acabando por vir a assumir a direção executiva do Festival durante anos.”

Já nos anos 90 e na primeira década do novo século, António Cavacas trouxe igualmente estes seus princípios de missão para a Cartoon Portugal.

A chegada do Programa MEDIA da Comunidade Europeia teve fortes repercussões no cinema de animação e implicou a criação de um novo vínculo para os animadores portugueses. Em tempos difíceis e recusando a presidência, António Cavacas dinamizou a atividade desta entidade, que nasceu como ponte da animação portuguesa com Bruxelas.

Na altura, todos lhe sublinhámos o poder da palavra seriedade e a justeza do seu compromisso de missão.

Na viragem do milénio, o seu trabalho incansável permitiu a concretização de uma nova animação portuguesa, onde passaram a caber mais autores, mais animadores e onde os filmes se foram multiplicando.

António Cavacas acompanhou e suportou parte significativa desta crucial mudança.

Fez, como sempre tinha feito na sua entrega cívica à sua cidade. Os que, com ele tiveram o privilégio de trabalhar, sabiam que as reuniões tinham um tempo preciso, porque logo de seguida António Cavacas já estaria a correr para os Bombeiros ou outra agremiação para quem a sua presença também era imprescindível.

Tinha 77 anos, uma saúde que se vinha a debilitar e que nos últimos anos o obrigaram a ter de adiar constantemente a presidência do júri do Festival de Cinema AVANCA.

Teria sido esta uma primeira homenagem...

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

DESAPARECEU AMÉRICO SOARES, O PRIMEIRO PRESIDENTE DO INSTITUTO NACIONAL DE CINEMA DE MOÇAMBIQUE

Faleceu hoje em Avanca, com 69 anos, Américo Soares que foi o primeiro Presidente do Instituto Nacional de Cinema de Moçambique.

Sobre a égide do governo de Samora Machel, Américo Soares foi o grande obreiro de um Instituto de Cinema que em Maputo reuniu um dos raros laboratórios de cinema em África e uma forte estrutura que controlava a exibição e a produção cinematográfica de todo o país.

Foi este Instituto que permitiu a formação dos cineastas moçambicanos, organizando em Maputo ações de formação com realizadores como Godard ou Ruy Guerra. Apostados em transformar os guerrilheiros em operadores de câmara, foram estes novos técnicos que se espalharam por todo o país e permitiram filmar o mais icónico jornal de atualidades cinematográficas de todo o continente africano.

Chamado “Kuxa Kanema”, esta série de filmes de 20 a 30 minutos tinham texto do escritor Luís Patraquim, direção de Fernando Silva e a locução era do próprio Américo Soares. 

Deslocando-se durante toda a vida numa cadeira de rodas, estudou na Escola Comercial de Lourenço Marques, tendo passado pelos jornais e movimentos políticos e revolucionários de então.

Embarcou para Portugal e empreendeu uma destemida viagem, a salto, num triciclo motorizado com que atravessou toda a Europa, tendo chegado á Suécia, onde foi exilado político.

Personalidade carismática, após mais de seis anos à frente dos destinos do cinema em Moçambique, regressa a Portugal e em Avanca inicia uma bem sucedida carreira de empresário, tendo construído uma rede de lojas de revelação rápida de fotografia por todo o país, uma outra de emolduramentos e uma pequena distribuidora de filmes em vídeo.

Alargando os negócios ao Brasil e mais tarde também a Moçambique e África do Sul, mais recentemente dirigia uma editora online que foi pioneira na impressão digital de livros em Portugal. 

Numa das primeiras edições do Festival Internacional de Cinema AVANCA, Américo Soares pode contar um pouco da sua história e da sua riquíssima experiência de vida, tendo colaborado sempre com o Cine Clube de Avanca.

O funeral realiza-se quinta-feira dia 23 ás 15h na Igreja Matriz de Avanca, no Concelho de Estarreja e Distrito de Aveiro.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

CINE CONCERTO “DENTRE” NO CINEMA VIDA EM OVAR


O guitarrista e cineasta Joaquim Pavão estará na noite da próxima sexta-feira dia 17 no Cinema Vida em Ovar onde irá acontecer o Cine Concerto DENTRE.

Acompanhado pelo músico Xavier Marques e a atriz Isabel Fernandes Pinto, o espetáculo inicia-se às 21h15 com a projeção do novo projeto DENTRE e a atuação em palco dos autores deste projeto.

Em DENTRE, três músicos dialogam com um registo cinematográfico onde a violência está na desconstrução ética da mentira para com esta estabelecer as bases de um sistema opressor.

DENTRE põe em confronto a banalização da violência com algumas feridas abertas e reais.

Estar sem habitar. Como se pudéssemos atravessar a vida incólumes. 

O projeto é também um modo de perguntar: Como normalizamos o sofrimento do outro?

Destinado a um público maior de 16 anos, este Cine Concerto é a mais recente obra cinematográfica de Joaquim Pavão que, anteriormente, viu o seu filme “Antes que a noite venha: falas de Antígona” ser distinguido com 22 prémios em festivais de todo o mundo.

Também a curta metragem “Entre sonhos” foi premiada e a sua primeira longa-metragem “Sonhos” aguarda estreia nas salas de cinema do país.

Compositor, a obra musical de Joaquim Pavão está espalhada por diversos filmes onde assinou a autoria da banda sonora, nomeadamente de realizadores como Janek Pfeifer, Artur Correia, Cláudio Jordão, Patrícia Figueiredo, Miguel Gonçalves Mendes, Igor Parfenov ou Alfonso Palazon.

A sua música acompanhou "A Sesta" da coreografa Olga Roriz, a performance "Medea" de Helena Botto e a animação em tempo real "Tropisme" do realizador canadiano Pierre Hebert.

Entre o cinema e a música, Pavão tem dado concerto de guitarra em diversos festivais da Europa e América do Sul. 

Tendo gravado em 2017 o seu primeiro álbum a solo "Avenidas", lançou mais recentemente o álbum "Antes que a noite venha: falas de Antígona" com Xavier Marques, sendo a banda sonora do filme que dirigiu. A sua obra de composição musical é publicada pela AVA MUSICAL EDITIONS.

O Cinema Vida, que integra o Centro Comercial de igual nome em Ovar, faz parte da rede EUROPA CINEMAS e programa cinema de qualidade com o apoio do ICA / Ministério da Cultura.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

ANTÓNIO SOUTO APRESENTA NOVO LIVRO EM ANGEJA

António Souto, escritor e professor, irá apresentar a o seu novo livro “Não há volta a dar” no sábado 27 de novembro às 16h, no Solar do Alambique em Angeja.

Editado pela “Debatevolution”, integrando a coleção crónicas, este novo livro reúne 30 textos que o autor considera ser “Coisas miúdas de um quotidiano fértil de casos e descasos, algumas reflexões em torno da escola e de quem nela anda – à mistura com recordações de uma infância talhada de muitos apertos e de muitos sonhos -, alguns soluços abatidos neste nosso tempo confinado de pandemia”.

Tendo anteriormente publicado, na mesma editora, os livros “Ex Abrupto” e “Dupla Expressão” que também reúnem outras crónicas que António Souto tem publicado em blogues e outras publicações, no novo livro, “De tudo se compõem as crónicas que dão forma a este florilégio laçado de verdades e devaneios, de palavras cheias e de silêncios, porque assim é a Vida, Não há volta a dar.”

António Souto, sendo sobretudo poeta com vários livros publicados, nomeadamente a antologia “O Milagre do Entardecer” e a sua mais recente obra poética “A Seiva dos Dias – e outros poemas”, 

Natural de Angeja, Albergaria-a-Velha, onde nasceu em 1961, António Souto é licenciado em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade de Lisboa e pós-graduado em Teoria e Criação Literária pela Universidade Autónoma de Lisboa. Tem uma relevante carreira como professor, em Portugal e em França – desenvolve a sua atividade em Lisboa, sendo que lecionou igualmente em Estrasburgo, na Universidade de Ciências Humanas, atual Universidade de Estrasburgo, no Instituto de Tradutores, Intérpretes e Relações Internacionais e na Universidade Popular Europeia.

Exerceu, no XIV Governo Constitucional, as funções de assessor e de chefe de gabinete no Ministério do Trabalho e da Solidariedade.

A capa do livro reproduz uma fotografia de Mariana Souto, sua filha.



A apresentação do livro contará a«com a presença do autor, da Dra. Helena Vidinha, anfitriã, que tem vindo a acompanhar a obra do poeta, e do editor António Costa Valente

O livro terá também uma prévia apresentação em Lisboa no Auditório da Escola Secundária de Camões (antigo Liceu Camões).