domingo, 27 de dezembro de 2020

UM PRÉMIO QUASE NO FIM DO ANO DISTINGUE O MUSEU DE AVEIRO E A PARTICIPAÇÃO DE 3 ASSOCIAÇÕES DA REGIÃO


Na Cerimónia de Entrega de Prémios da APOM 2020 – Associação Portuguesa de Museologia, este ano realizada online, “Entre o Museu… Rostos” venceu o Prémio Filme.

Esta obra realizada pelo Museu e o Município de Aveiro, é o resultado do encontro com as associações APPACDM – Aveiro, Academia de Saberes – Universidade Sénior de Aveiro e Cine Clube de Avanca.

Neste filme, da autoria e realização conjunta de Maria da Luz Nolasco com António Costa Valente e António Osório, participaram no projeto Cacilda Marado, Lília Rosmaninho e Helder Alegrete.

O Museu cruzou os jovens da Associação Portuguesa de Pais e do Cidadão com Deficiência Mental de Aveiro – APPACDM, com um grupo de adultos seniores da Academia de Saberes de Aveiro - Associação da Rede de Universidades da Terceira Idade, com os quais desenvolveu, após uma visita ao Museu, um atelier de artes. 

O “Entre o Museu ... rostos” é uma oportunidade de preservar, validar e testar as ações que constituem o plano sequencial da visita orientada em tempo real, reforçado pela linguagem visual criada entre o dispositivo museológico e os participantes ativos. Ações "efêmeras" mas que são antes de mais “sensoriais e espontaneamente participadas”. 

Os protagonistas do filme foram o André Moura, Bruno Figueiredo, Carlos Marques, Cristina Fernandes, Sérgio Cardoso, Silvestre Cunha, Goreti Portela, Sónia Santos e a Liliana, tendo cada qual construído a máscara do seu próprio rosto, numa altura em que ainda não vivíamos o tempo da pandemia. Os outros participantes foram os membros da Academia de Saberes de Aveiro, numa sempre voluntária e ativa participação.

O Filme teve a produção de uma equipa do Cine Clube de Avanca com imagem de António Osório, António Valente, Miguel Almeida, montagem de António Osório e som de Miguel Almeida. Na preparação das filmagens interveio também Maria da Luz Nolasco que desenhou o “storyboard” do filme.

O prémio agora atribuído ao Museu de Aveiro/Santa Joana, é uma realização anual da APOM – Associação Portuguesa de Museologia, que tendo sido criada em 1965, procura realçar o papel desempenhado pelos museus e pela profissão museológica nas comunidades.

Na Cerimónia foram ainda atribuídas Menções Honrosas ao Museu Municipal Pedro Nunes de Alcácer do Sal e à Sinagoga de Tomar.

O filme “Entre o Museu… Rostos” deverá ser exibido em 2021 no Teatro Aveirense e igualmente no Festival de Cinema Avanca, que em julho irá comemorar a sua edição nº 25.

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

FILME “BOCA DO INFERNO” É O GRANDE VENCEDOR DO 18ºBRAGACINE 2020


O filme “Boca do inferno” de Luís Porto, venceu o “18º Bragacine, Festival internacional de Cinema Independente de Braga”, sendo distinguido, entre outros, com o Grande Prémio do festival.

“Boca do inferno” é uma produção à volta de um encontro entre o poeta Fernando Pessoa e o ocultista inglês Aleister Crowley em 1930. 

Rodado no Claustro do Mosteiro de São Bento da Vitória, este filme de época encontrou neste espaço uma inovadora forma de permanente transformação que permitiu ali filmar o Terreiro do Paço, o café Martinho da Arcada, a praia ou o quarto de Fernando Pessoa.

Estreado no Festival AVANCA 2019, esta obra de Luís Porto recebeu em Braga 5 dos prémios do festival, cujo júri foi presidido pelo artista plástico Júlio Antão.

O argumentista e também protagonista do filme (interpreta Fernando Pessoa), Jaime Monsanto foi distinguido com o Prémio Melhor Argumento.

Manuel Pinto Barros, que dirigiu a imagem do filme, ganhou o Prémio Melhor Fotografia.

António Costa Valente foi distinguido com o Prémio Melhor Produtor.

Finalmente Luís Porto ganhou o Prémio Melhor Realizador.

Luís Porto, com o seu filme anterior “Deus providenciará”, tinha já sido premiado no Festival AVANCA em 2015.

O festival ainda premiou a curta metragem “Confinamento descontente” de Rui Nunes, com o Prémio de Melhor Curta Metragem e Melhor Ator. Este filme também estreou no Festival AVANCA, integrando o primeiro Drive In que aconteceu no nosso país, após o primeiro confinamento do ano.

Curiosamente, o Bragacine também homenageou este ano o diretor de fotografia Francisco Vidinha,  que no início do desenvolvimento do projeto “Boca do Inferno”, tinha já colaborado na procura da imagem desta obra cinematográfica.

Tendo decorrido maioritariamente on-line, a cerimónia de entrega dos prémios do 18º Bragacine decorreu numa das salas bracarenses do complexo Cinema Place. 

“Boca do inferno” foi igualmente exibido na passada semana no Brasil, integrando a programação do “20º Festival Iberoamericano de curtas metragens CURTA SE” que se realizou na cidade de Aracajú, tendo sido projetado num espaço “Drive In”.

O filme integrou uma seleção de filmes portugueses que incluiu “murmuratorium - rumos e rumores” de Luís Margalhau, “Carnaval Sujo” de José Miguel Moreira, “A Tua Vez” de Cláudio Jordão e David Rebordão, “(in)utilidades” de Joaquim Pavão e o documentário de longa-metragem    

“Sobre sonhos e liberdade” de Marcia Paraiso e Francisco Colombo.

“Boca do inferno” é uma produção para a qual a Filmógrafo conseguiu um apoio do ICA / Ministério da Cultura e onde o Cine Clube de Avanca participou nos vários momentos.

domingo, 25 de outubro de 2020

SÉRVIA E RÚSSIA PREMEIAM O FILME “DIADEMA”

O documentário “Diadema” de Milana Majar, uma coprodução entre Portugal e a Bósnia Herzegovina, acaba de ser premiado nos festivais de cinema da Sérvia “14º Filmsko Bdenje Duse” com o Prémio “Bdenje Jakova Orfelina” e no “25º Cinema for Children” em Samara (Rússia), com o Prémio de Melhor Documentário Estrangeiro.

DIADEMA é uma obra cinematográfica protagonizada por Youla Bnayat, primeira bailarina da companhia nacional de bailado da Síria antes do começo da guerra, cuja trajetória de vida sofreu uma reviravolta incomum.

Perante a tragédia em que mergulhou a Síria, Youla viajou em 2013 para Kiev, onde voltou a mergulhar na incerteza e em tempos de profundos conflitos. Youla testemunhou os eventos na Praça Maidan, a onda de manifestações nacionalistas e de agitação civil na Ucrânia, iniciada na noite de 21 de novembro.

Entretanto da Síria e da Guerra de 2013 – o caos, a catástrofe, a ausência de sentido, mas também a beleza e a poética – ficou uma experiência profundamente impressa no seu subconsciente. A sua última dança no anfiteatro medieval está sempre presente... Ela reconhece as vozes e o ritmo dos passos numa explosão de emoção. Fora da tragédia da guerra que esmagou os seus sonhos, o mundo de Youla no seu novo refúgio, parece estar sempre no limite do colapso. Mas a chegada de uma nova vida, marca um novo tempo de esperança.

Rodado entre Kiev e Damasco, falado em árabe e russo, o filme foi coproduzido por António Costa Valente, que também assina a direção de fotografia deste filme em conjunto com Dejan Racic. Neste documentário, Esad Bajric é o produtor da televisão pública da República de Srpska.

Milana Majar, realizadora e argumentista é sobretudo conhecida pelos seus documentários

“From the Edge of Sanity” (2018) e “In Manus Tuas” (2019), ambos os filmes premiados em diversos festivais de cinema da Europa, Ásia e que foram já exibidos e premiados em festivais portugueses de cinema.

Na Rússia o prémio foi atribuído por um júri de jovens com mais de 12 anos. A edição deste ano do “25º Cinema for Children” que estava prevista para abril, só veio a acontecer em outubro por força da pandemia. Nesta edição especial, o festival comemorou o “75º Aniversário da Vitória na Grande Guerra de 1941-1945”. 

Na Sérvia, tendo o festival acontecido maioritariamente de forma on-line, os filmes premiados  foram também exibidos nos cinemas de Sremski Karlovci. Na ocasião, foi também projetado um filme em memória do Dr. Miodrag Lazic, um cirurgião voluntário na guerra da Bósnia de 1992 a 1995 e que este ano foi a primeira vítima entre médicos na luta contra o Covid 19.

Anteriormente o filme DIADEMA tinha sido distinguido na Ucrânia com o “Emerald Diploma” no 11º International Orthodox Film Festival de Dnipro e em Portugal o filme foi exibido no Festival AVANCA. O filme esteve entretanto nas seleções oficiais dos festivais de Sarajevo (Bósnia) e Sevastopol (Rússia). Brevemente estará em competição  no Golden Nike em Belgrado e em novembro o filme estará também na seleção oficial do festival de Tula (Rússia). Em 2021 estará em competição no festival Cinepobre do México.

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

AZEMÉIS FILM FESTIVAL JUNTA NO ECRÃ O MELHOR DO CINEMA PREMIADO EM PORTUGAL


“O Festival dos festivais” é uma organização inédita do Município de Oliveira de Azeméis que pela primeira vez vai reunir os filmes premiados nos principais festivais de cinema portugueses no último ano, numa competição de longas metragens entre a ficção e o documentário.

Os vencedores dos festivais de Avanca, Doclisboa, Fantasporto, Indielisboa e Leffest vão passar pelo ecrã de “O Cinema” entre 2 e 4 de outubro 2020.

O AZEMEIS Film Festival surge na cidade com uma marca histórica importante na área do cinema, impulsionada pela programação do Cine Teatro Caracas e mais tarde com a abertura de duas outras salas de cinema.

Resultado dessa marca foi constituído o Cineclube de Azeméis que teve um grande número de sócios e um forte desempenho nesta área. Entre a atividade desta coletividade, a produção de cinema de amadores teve uma fortíssima dinâmica e vários filmes foram premiados e exibidos em festivais nacionais e internacionais.

O AZEMÉIS Film Festival surge porque importa reiniciar o caminho que traga o cinema ao concelho, criando-se novos públicos e novas dinâmicas que levem ao envolvimento da comunidade nesta forte e dinâmica área cultural. Importa ainda assegurar a criação de condições mais estáveis e adequadas ao desenvolvimento de atividades de interesse municipal que salvaguardem e perpetuem a história e património cultural do município. 

Por esta primeira edição do festival de cinema irão passar filmes como “De los nombres de las cabras” de Silvia Navarro, Miguel G. Morales (Espanha), obra surpreendente que ganhou o “Indielisboa 2019”. Neste filme um arqueólogo viaja pelas cavernas das Ilhas Canárias procurando os restos mortais dos habitantes indígenas da ilha. Um filme ensaio sobre o complexo mapa de poder que constrói o discurso histórico.

Também em competição estará “Tommaso” um filme italiano do provocante e controverso realizador americano Abel Ferrara. Tendo estreado em Cannes, foi premiado no LEFFEST 2019. Este filme é protagonizado por Willem Dafoe, mas também pela esposa e filha do realizador.

Tendo ganho o Prémio do Público do último “Fantasporto 2020”, o filme “Por detrás da moeda” de Luís Moya foi brilhantemente rodado no Porto, com os músicos de rua da cidade, tendo emocionado a plateia do Rivoli. O filme foi aplaudido de pé e por largos momentos.

Do “Avanca 2019” será exibido o premiado “Eternal Winter” do realizador húngaro Attila Szász. 

Baseado em factos reais, este é o primeiro filme produzido sobre as 700.000 vítimas húngaras dos campos de trabalho soviéticos, em plena II Guerra Mundial. Marina Gera foi ainda distinguida com o International Emmy Award 2019 para melhor atriz.

“Santikhiri Sonata” do realizador tailandês Thunska Pansittivorakul foi o vencedor do “Doclisboa 2019”, uma obra sobre as memórias da governação do general Prem a partir dos anos 1980 na região do "Colina da Paz". Segundo o realizador “A ilusão e o orgulho inabalável no facto de o país nunca ter sido colonizado moldaram com sucesso o nosso nacionalismo cego”.

O AZEMÉIS Film Festival exibirá ainda em extra competição, outros filmes que foram exibidos e premiados noutros festivais de cinema portugueses, nomeadamente nas exibições para o público mais jovem.

O festival seguirá as recomendações da DGS - Direção Geral de Saúde.

terça-feira, 29 de setembro de 2020

“VIAGENS PELO ÉTER” NO TEATRO AVEIRENSE, UM LIVRO DEPOIS DO FILME

O livro “Viagens pelo Éter, um cinema após 2008” de António Costa Valente será apresentado esta terça feira dia 29 de setembro no Teatro Aveirense, conjuntamente com a exibição do filme “O Paraíso, Provavelmente” do realizador palestino Elia Suleiman, integrando o espaço “Os Filmes das Nossas Terças” 

“Viagens pelo Éter, um cinema após 2008”, é uma obra que percorre as publicações do blog do festival de  cinema de AVANCA, numa abordagem temporal e factual, permitindo seguir o percurso do festival e do seu cinema, com o ineditismo e singularidade que o têm caracterizado. 

Em três partes, pelo livro é possível espreitar os acontecimentos, mas também o que se foi passando nas vizinhanças do festival. Na última parte, a obra presta homenagem a alguns dos cineastas e amigos do evento, que, entretanto, nos deixaram.

No livro, lê-se “O cinema amplifica tudo nos retângulos das suas imagens e sons, mas é nos eventos que se amplificam ainda mais os rostos e mentes dos que escolheram viver os seus anos envoltos neste desígnio que o cinema tem reunido”.

A apresentação estará a cargo do Leonel Rosa, professor em Aveiro, especialista em cinema documental e que no passado foi diretor de várias edições do Festival de Cinema de Aveiro, que reunia as cinematografias dos países onde se fala a língua portuguesa.

Editado pela “debatEvolution”, este livro é da autoria de António Costa Valente, um dos fundadores do Cine Clube de Avanca. Tendo uma tese de doutoramento sobre cinema de animação cursada na Universidade de Aveiro, o seu percurso como académico tem passado pelas universidades públicas de Aveiro, Vila Real e Faro. No cinema, foi com Vítor Lopes e Carlos Silva, autor da primeira longa-metragem da animação portuguesa. Tendo produzido mais de uma centena de filmes, os mesmos ultrapassaram as três centenas de prémios em todos os continentes. Com uma presença constante nos movimentos associativos, atualmente é o responsável pelo espaço “Europa” na Federação Internacional de Cineclubes. 

Tem sido júri em diversos festivais de cinema, curiosamente em 2019 integrou o júri do Festival de Almati no Cazaquistão, que veio a distinguir o filme “O Paraíso, Provavelmente” com um Prémio Especial.

Este filme, a exibir conjuntamente com a apresentação do livro, tem a particularidade de ser uma abrangente coprodução, onde para além da Palestina, participam países como a França, o Qatar, a Alemanha, o Canadá e a Turquia. Elia Suleiman, enquanto realizador e protagonista do filme, explora nesta comédia de enganos a identidade, a nacionalidade e a pertença, no qual Suleiman coloca uma questão fundamental: onde nos podemos sentir “em casa”?  

A apresentação do livro e a exibição do filme são uma organização conjunta da Plano Obrigatório, do Teatro Aveirense e do Município de Aveiro, com o apoio do ICA, Ministério da Cultura.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

FELLINI NO PORTO E EM AVEIRO


 “Federico Fellini, a inevitabilidade da arte” é um livro de Anabela Branco de Oliveira que participa na comemora do centenário de nascimento do cineasta, um autor genial e inesquecível.

Numa edição da editora “debatEvolution”, esta obra terá apresentação pública este sábado no Porto e posteriormente em Aveiro na terça-feira seguinte.

Promovido pelo Cineclube do Porto, na Casa das Artes, dia 12 de setembro pelas 16h30 o realizador e professor universitário Adriano Nazareth Jr. irá apresentar o livro na presença da autora, antecedendo a exibição do filme “Julieta dos Espíritos” que Fellini realizou em 1965.

Na terça-feira dia 15 de setembro, no Teatro Aveirense e numa organização conjunta com a Plano Obrigatório, será Eugénia Pereira, investigadora e professora da Universidade de Aveiro a fazer a apresentação do livro pelas 21h30. Na altura será exibido o filme “Fellini 8 ½” (1963). A autora estará igualmente presente.

Segundo Anabela Branco de Oliveira “Em Fellini a arte torna-se espaço, tempo e personagem. Através de planos e enquadramentos, torna-se a alavanca de um percurso narrativo. Corpos e rostos são pedaços anatómicos que, na construção do discurso fílmico, definem um percurso identitário e são inevitáveis na sua essência artística. No percurso cinematográfico de Federico Fellini, conquistam-se diálogos e fronteiras identitárias entre cinema e arquitetura: os espaços arquitetónicos são projetos e protagonistas, ao mesmo tempo, espaços de reflexão cinematográfica e de análise arquitetónica. Na inevitabilidade da arte, projeta-se a inexorabilidade da transgressão, um percurso inconsciente com e sem limites, sonhos acabados e por acabar, passagens sucessivas entre caos e cosmos. As criações de Fellini projetam a flexibilidade do objeto estético e a omnipotência da criação cinematográfica. Nele, a arte é espontânea, vital, carnal e intrínseca. E inevitável”.

Sendo Docente na UTAD – Universidade de Trás-os-montes e Alto Douro, Anabela Branco de Oliveira étambém  investigadora no Labcom. Doutorada em Literatura Comparada, orienta a sua investigação científica no âmbito dos estudos interartes, nomeadamente nas relações entre literatura e cinema, literatura e arquitetura e igualmente na cinematografia de Manoel de Oliveira, Jacques Tati, para além de Federico Fellini. Leciona vários seminários no âmbito da análise do discurso fílmico e das relações dialógicas entre o cinema e outras artes. Tem comunicações apresentadas em múltiplos colóquios, publicações em revistas nacionais e internacionais e conferências como convidada nas universidades de Paris III, Paris Ouest Nanterre La Défense, Utrecht, Varsóvia, Lublin e Gdansk. Tendo participado nos júris de diversos festivais de cinema, tem sido também júri dos concursos nacionais de apoio à cinematografia portuguesa do ICA (2014-2020). Em Vila Real tem dirigido o “RIOS – Festival Internacional de Cinema Documental e Transmedia”.

A editora “debatEvolution”, tendo-se especializado na edição de obras sobre artes e humanidades, com uma particular atenção ao cinema, editando várias obras de autores portugueses que abordam esta área.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

AVANCA 2020 MOSTRA O “CINEMA PORTUGUÊS ANOS 70 – DA RESISTÊNCIA À LIBERDADE” EM HOMENAGEM A HENRIQUE ESPÍRITO SANTO

Uma exposição de cartazes originais do cinema português dos anos 60 e 70, que o produtor Henrique Espírito Santo foi colecionando ao longo da sua vida, está patente ao público na Galeria da Casa Municipal da Cultura de Estarreja durante todo o mês de agosto.

Numa homenagem prestada pelo “24º AVANCA – Encontros Internacionais de Cinema, Televisão, Vídeo e Multimédia”, a um dos mais emblemáticos produtores do cinema português, desaparecido já este ano e que anteriormente tinha passado pelo festival a ensinar o que melhor sabia fazer – produzir filmes.

“Esta mostra retrata sobretudo a década de 70 em que se solidificou a viragem para um novo tipo de cinema. Foi todo um período de resistência, de agitação cineclubista, profissional, sindical e política que sensibilizou a Fundação Calouste Gulbenkian a subsidiar o Centro Português de Cinema (cooperativa legalmente constituída em 1970). 

Foi neste tempo de contestação intelectual, apoiada por jovens críticos e alguma imprensa descomprometida que surge a Escola de Cinema em 1972 e a Cinemateca inicia uma ação mais profícua na divulgação cinematográfica.”

Henrique Espírito Santo esteve nesta linha da frente do cinema nacional. Foi professor de produção na Escola de Cinema do Conservatório Nacional e mais tarde na Universidade Moderna, participou continuamente em jornadas de divulgação do cinema nacional e sobretudo produziu filmes de Alberto Seixas Santos, António da Cunha Telles, António de Macedo, João Mário Grilo, Jorge Silva Melo, José Álvaro Morais, José Fonseca e Costa, José de Sá Caetano, Luís Filipe Rocha, Manoel de Oliveira e Solveig Nordlund entre outros.

Vindo do cineclubismo, cuja importância sempre fez questão de afirmar nas suas múltiplas intervenções no espaço da cultura e do cinema nacional, foi à guarda da FPCC – Federação Portuguesa de Cineclubes que a família deixou esta coleção única e significativa.

Na mostra estão cartazes dos seus filmes, alguns são exemplares dos primeiros cartazes impressos, mas outros são ainda o primeiro saído do labor do seu autor gráfico. Obras que Henrique Espírito Santo classificou e organizou, procurando dar visibilidade a um tempo onde os filmes marcaram um contexto cultural, social e político da nossa história.

Henrique Espírito Santo nascido em 1931, antifascista militante por convicção, tendo estado preso no Aljube e em Caxias, foi homenageado em 2014 nos Prémios Sophia, pela Academia Portuguesa de Cinema.

A mostra ficará aberta ao público no horário diário deste espaço que integra um histórico e marcante edifício sobranceiro à praça central da cidade de Estarreja.

A mostra e o Festival de Cinema, são resultado da parceria organizativa do Cine-Clube de Avanca e Município de Estarreja.