quarta-feira, 11 de setembro de 2019

FILME “PRETU FUNGULI” DISTINGUIDO EM KIEV

O documentário “PRETU FUNGULI” com o artista plástico guineense Nú Barreto, de Costa Valente e Monica Musoni, acaba de ser distinguido com um “Diploma do Júri” no 16º Kinolitopys – Festival Internacional de Cinema Documental de Kiev na Ucrânia, "pela divulgação da vida de pessoas criativas na sociedade".
O festival Kinolitopys decorreu na Casa do Cinema, no centro da capital ucraniana.

PRETU FUNGULI é um filme sobre o encontro da criação artística com as descriminações sociais.
“Funguli” é uma expressão crioula usada de maneira discriminatória. Este termo foi revivido pelo artista visual guineense Nú Barreto, que o transformou num conceito visual.
Sendo de um dos países mais pobres do mundo, Nú Barreto tem hoje uma grande crescente projeção internacional no espaço das artes visuais. O filme acompanha o artista pelo Brasil, Guiné-Bissau, Macau e Paris, onde vive e trabalha. Somos convidados a mergulhar na sua vida e obra, a fim de entender o seu processo criativo e os conflitos em que vive o artista.

Tendo tido a sua estreia no festival de cinema AVANCA 2018, o filme teve imagem de António Osório, A. Valente, Aminata Embalo, a montagem do filme é de Alex Cepile e Monica Musoni que assina igualmente a autoria do documentário.
Exibido recentemente em Cabo Verde e no México, este filme tem sido acompanhado por debates onde a arte e as questões sociais se cruzam fortemente. Com a intervenção dos realizadores, o filme tem sido exibido não só no âmbito de festivais, mas também em universidades e centros de cultura onde o tema do filme tem permitido amplas e preocupadas abordagens.

Nú Barreto nasceu em 1966, em São Domingos, no norte da Guiné-Bissau. Instalou-se em Paris em 1989, onde vive e trabalha atualmente. Interessa-se inicialmente pela fotografia, tendo realizado formação na Ecole de Photografie AEO, em Paris, em 1993. Concluiu os seus estudos na Ecole Nationale des Metiers d’Image, em Paris, em 1996. Artista pluridisciplinar, procura interpelar o espectador através das suas pinturas, fotografias, desenhos e vídeos. Faz da condenação dos atos de opressão do nosso mundo o tema principal da sua obra, denunciando, em particular, a miséria e o sofrimento que atingem o continente africano. Introduz nas suas obras uma linguagem feita de formas, de cores simbólicas e de motivos portadores de forte simbolismo.Tem realizado exposições em França, em Portugal, em Espanha, em Macau e nos Estados Unidos da América. Em 1998, participou na Exposição Universal de Lisboa; em 2013, participou pela segunda vez na exposição L’Art pour la Paix à l’Unesco, em Paris. Tem também integrado exposições coletivas: no Centro Cultural Franco-moçambicano, em Maputo; no Museu Nacional de Belas Artes no rio de Janeiro; na Bienal de Dakar; no Luxemburgo; em Berlim; no Museu Vieira da Silva, em Lisboa.

Este filme foi produzido pela Filmógrafo, Cine-Clube de Avanca, Água Triangular e TonTon Communication (Bélgica), tendo sido apoiado pelo ICA, Ministério da Cultura, entre várias entidades de Portugal, Guiné-Bissau, Brasil e Macau.

domingo, 25 de agosto de 2019

CINEMA DE ANIMAÇÃO DE AVANCA NA CINEMATECA NACIONAL

Pela primeira vez a Cinemateca Portuguesa exibe um conjunto significativo de filmes de animação que foram produzidos pelo Cine Clube de Avanca,

Marcando a reabertura em setembro das atividades da Cinemateca Portuguesa, os filmes serão exibidos na segunda feira dia 2, pelas 18h30, numa sessão especial que contará com a presença de vários dos realizadores das obras a exibir.

Esta deslocação de filmes e pessoas a Lisboa, tem um particular significado para a produção cinematográfica de Avanca, onde o cinema de animação produzido tem uma marca forte na história do cinema de animação português.
Foi em Avanca que se produziu a primeira e até agora única longa metragem da animação portuguesa e também a curta metragem “Conto do Vento” de Cláudio Jordão e Nelson Martins, a mais premiada de entre os filmes da animação produzidos exclusivamente no nosso país.
Este será um dos filmes a exibir na Cinemateca, e também o filme de ficção científica “15 bilhões de fatias de (-) + Deus” que foi realizado em 2012, o ano em que o cinema português não teve qualquer apoio estatal. Este filme inscreve por isso um especial agradecimento à crise e também ao Nobel neurocirurgião Egas Moniz pelo seu sentido inspirador.

A paisagem à volta de Avanca estará representada no filme “A ria, a água, o homem...”, que no apurado desenho de Manuel Matos Barbosa, permite um mergulho na memória e nas ancestrais atividades da apanha do moliço e da pesca na ria.

Entre os filmes em exibição estará “Um gato sem nome”, uma surpreendente realização de Carlos Cruz e “Lágrimas de um palhaço” de um dos mais profícuos e independentes realizadores da animação portuguesa Cláudio Sá.

As realizadoras têm uma forte presença nesta seleção que inclui “A Minha Casinha” de Maria Raquel Atalaia, “Foi o fio...” de Patrícia Figueiredo, “Mulher sombra” de Joana Imaginário e “Sendas”, o mais recente filme de Raquel Felgueiras.
A mostra inclui ainda o video musical “Navegar” com Helena Caspurro e de Carlos Silva e Pedro Carvalho de Almeida e a animação produzida durante um dos festivais de cinema AVANCA, da autoria de Moisés Rodrigues, “Rodar”.

Refira-se que a totalidade dos filmes foram exibidos no festival “AVANCA – Encontros Internacionais de Cinema, Televisão, Vídeo e Multimédia”, que este ano completou 23 edições, e no qual a maioria dos filmes tiveram a sua estreia mundial.

Produzidos no estúdio de cinema de animação do Cine-Clube de Avanca, em colaboração e parceria com diversas entidades e produtoras (nomeadamente a Filmógrafo, Kotostudios, Animegas, Mulher Avestruz, Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, DeCA da Universidade de Aveiro), os filmes espelham uma diversidade autoral que sempre foi apanágio do cinema de AVANCA.

O  Cine-Clube de Avanca, conjuntamente com a Filmógrafo é uma das produtoras de cinema mais distinguidas na Península Ibérica, tendo os seus filmes recebido cerca de 400 prémios e menções.
Alguns dos filmes tiveram apoio do ICA, Ministério da Cultura, participação da RTP, do IPDJ, do Município de Estarreja e da Junta de Freguesia de Avanca.

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

LAS VEGAS PREMEIA FILME QUE JOAQUIM PAVÃO RODOU NO FESTIVAL AVANCA


O filme “Antes que a noite venha – Falas de Antígona”, que Joaquim Pavão realizou durante o “Creative Film Workshops” do Festival Internacional de Cinema AVANCA, volta a ser premiado nos Estados Unidos da América, desta vez na cidade de Las Vegas.

Os Vegas Movies Awards atribuíram Prémio de Excelência à Música Original de Joaquim Pavão e ao Produtor António Costa Valente. Distinguiram ainda o filme com os Prémios de Prestígio para a Melhor Curta Metragem Independente, Melhor Montagem de Joaquim Pavão, Melhor Guarda Roupa de Tucha Martins, Melhor Fotografia de José Oliveira e Melhor Atriz para Isabel Fernandes Pinto.

Construído sobre o texto “Antes que a noite venha” de Eduarda Dionísio, este filme revela uma mulher que nos acompanha há vinte e cinco séculos, desde que Sófocles a apresentou à democracia ateniense, nas Grandes Dionisíacas. O filme transporta-nos à intimidade da mulher que ousou desafiar um déspota, na defesa da lei suprema do amor, revelando-nos contornos prováveis do Estado Democrático.

Tendo sido protagonizado pela atriz Isabel Fernandes Pinto, que agora recebe a sua terceira distinção com esta obra, e pelo atores Rui Pena e Claudinei Garcia, o filme conta também com um “Coro”, constituido por Alfaia Dinoparlar, Angelo Castanheira, Bruna Herculano, Carolina Ferreira, Carolina Rodrigues, Daniela Cardoso, Inês Lopes, Isilda Mesquita, Ivan Pinho, Joana Madureira, Laure Givily, Lídia Roca Almor, Luciana Teixeira, Natália Costa, Paula Santos, Sandra Pereira e Susana Santos.

Tendo sido o filme de abertura do 22º Festival internacional de Cinema AVANCA 2018, esta obra tinha sido rodado dois anos antes, durante a vigésima edição deste mesmo festival, tendo sido filmado no calor do verão, num amplo espaço de cultivo e nos limites de um pinhal em Avanca. Possuindo uma imagem particularmente expressiva que se transforma na pós-produção onde ganha negros impressionantes, tira especial partido da luminosidade captada no final de julho, justificando assim as cinco distinções atribuídas à imagem do filme em competições nos EUA, Reino Unido, Polónia e Portugal.

Tendo sido seleccionado e exibido em diversos festivais de cinema, o filme “Antes que a noite venha – Falas de Antígona” acumula um total de 19 prémios e uma Menção Honrosa, a que se junta a nomeação para os Prémios SOPHIA na categoria de curta metragem de ficção.

Entretanto Joaquim Pavão está a rodar um novo filme com curadoria de Álvaro Moreira e no contexto do Museu Internacional de Escultura de Santo Tirso. Sendo uma longa metragem, “Sculp” tem envolvido o trabalho de várias dezenas de atores e técnicos numa abordagem a uma narrativa que se entre-cruza com um espaço onírico onde as esculturas do Museu ganham uma expressividade inusitada.

Joaquim Pavão procura ainda voltar ao texto de Eduarda Dionísio e filmar “Medeia”, uma forma de sequenciar o projeto que agora voltou a ser premiado e sobretudo explorar novos contextos estéticos de abordagem filmica.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

FOTOGRAFIA PORTUGUESA EM ESTARREJA, DEPOIS DO FESTIVAL DE CINEMA AVANCA 2019

Na Galeria de Arte da Casa da Cultura de Estarreja e até 31 de agosto, decorre a exposição Coletiva de Fotografia de Autores Portugueses.
Esta mostra reúne obras de 25 autores portugueses com propostas de arte fotográfica que espelham a diversidade criativa da fotografia contemporânea.

Com curadoria e organização de Olga Santos, arquiteta e galerista, e de Domingos Júnior, arquiteto e artista plástico, esta exposição é uma organização conjunta do 23º AVANCA – Encontros Internacionais de Cinema, Televisão, Vídeo e Multimédia que decorreu no final de julho em vários locais da região.

A mostra reúne trabalhos de Adelino Marques, Ana Pinheiro, André Gigante, António Teixeira, Filipe Carneiro, Flávio Andrade, Hugo Almeida, Jean Pierre de Aguiar, João de Medeiros, João Pelicano Paulos, João Paulo Sottomayor, Jorge Pedra, Júlio Matos, Luís Coelho, Luís Romba,  Malica C., Manuela Vaz, Maria Vasconcelos, Marta de Aguiar, Nuno Calvet, Pedro Malheiro, Pedro Mesquita, Rosa Ramos, Rui Morão e Rui Pedro Bordalo.

Sendo a segunda vez que uma coletiva de arte fotográfica faz a ponte entre o Festival de Cinema e este espaço exposicional da Casa da Cultura de Estarreja (a primeira aconteceu em 2017), permite transportar as preocupações da criação artística que envolve as imagens e que de forma tão comum se encontram tanto nas imagens em movimentos como nas imagens fixas.
A presente mostra permite assim um reflexão mais ampla da abordagem à luz e das suas interseções com as preocupações autorais de alguns dos artistas que têm pontuado os últimos anos da arte fotográfica portuguesa.

A mostra ficará aberta ao público no horário diário deste espaço que integra um histórico e marcante edifício sobranceiro à praça central da cidade de Estarreja.

A mostra e o Festival de Cinema, são resultado da parceria organizativa do Cine-Clube de Avanca e Município de Estarreja.

terça-feira, 30 de julho de 2019

“ETERNO INVERNO” DO HUNGARO ATTILA SZASZ VENCE O FESTIVAL DE CINEMA AVANCA 2019

8 filmes portugueses entre os premiados do 23º AVANCA 2019.

“Eterno Inverno” é o grande vencedor do “23º Encontros Internacionais de Cinema, Televisão, Vídeo e Multimédia – AVANCA 2019”, encerrando 10 dias de festival e 5 dias de competições, conferências e workshops internacionais e exposições, este festival atribuiu prémios a filmes e autores de 12 países.
“Eterno Inverno”, do realizador húngaro Attila Szasz, arrebatou o Prémio Cinema para a Melhor Longa Metragem o Prémio D. Quixote da FICC - Federação Internacional de Cineclubes, o Prémio melhor fotografia e melhor atriz para Marina Gera.
“Eterno Inverno” é o primeiro filme produzido sobre as 700.000 vítimas húngaras dos campos de trabalho soviéticos.

Foram ainda distinguidas com Menções Especiais as longas–metragens “Elvis volta a casa” de Fatmir Koci (Albânia) e “O Sutiã” de Veit Helmer (Alemanha) que também recebeu o prémio de melhor argumento e melhor ator para Miki Manojlovic (um dos atores preferidos de Emir Kusturica).

O Prémio Curta Metragem foi para o filme do Afeganistão “Elephantbird” de Masoud Soheili e “Tweet - Tweet” de Zhanna Bekmambetova da Rússia, foi distinguida com o Prémio Melhor Animação.

O júri cinema foi constituído pela investigadora Anabela Oliveira e pelos cineastas Alexander Gratovsky e Roman Zhigalov (Rússia) e Dinis Costa, os programadores Antonio Delgado (Espanha), Larysa Yefymenko (Ucrânia) e Marcello Zeppi (Itália).

A FICC atribuiu igualmente uma Menção Especial ao filme inglês “Taniel” de Garo Berberian e que nos transporta até 1915 e o genocídio Arménio. O Júri da FICC foi constituído por Tariq Porter (Espanha) e Bernardo Cabral (Portugal).

Entre as categorias mais esperadas esteve a “Competição Avanca”. Reunindo obras produzidas ou co-produzidas na região, foi distinguida a curta metragem “Boca do Inferno” de Luís Porto e “A Menor Resistência” de Rafael Marques e Francisco Moreira  recebeu uma Menção Especial.
O Prémio Estreia Mundial foi para “A Tua Vez” de Cláudio Jordão e David Rebordão e o de Melhor Longa Metragem para “Voar da Ponta dos Dedos” de Luís Margalhau.
O júri foi constituído pelos cineastas Nicole Gratovsky (Rússia), Passos Zamith e Rui Martins e os programadores Artur Barros Moreira, Jesús Ramé López (Espanha), Luciana Abad (Argentina) e Pedro Medeiros.

O documentário “8 Poems of Emigration" de Kurtulus Ozgen (Turquia) venceu o Prémio Televisão e “Stuka” de Ricardo Machado uma Menção Especial.
A obra “Little America" de Marc Weymuller (França) recebeu o Prémio Estreia Mundial Televisão.
O júri foi constituído pelos realizadores Adriano Nazareth Jr., Manuel Paula Dias e Rui Nunes, o argumentista Henrique Vaz Duarte, os poetas António Souto e Manuel Freire, o ator Carlos Rico, o jornalista Fernando Pinho e os investigadores Leonel Rosa e Jean-Pierre Carrier (França).

O prémio vídeo foi atribuído a “Bookanima: Dance” de Shon Kim (Coreia do Sul). O júri deste prémio foi constituído pelos investigadores Carlos Fragateiro, Paulo Bernardino Bastos, o cineasta Rui Filipe Torres e pelo jornalista João Paulo Neves.

A novíssima competição de cinema VR 360º premiou “Lionhearted” de Ricardo Saleh (Alemanha) e atribuiu o Prémio Estreia Mundial a “Pieces” de Alexandre Cunha, Alexandre Lopes, João Lourenço, João Teixeira e Paulo Carvalho. Este último filme é uma produção da UTAD, Universidade de Trás-os Montes e Alto Douro. O júri foi constituído pela escritora Mariana Bento Lopes, o músico Sérgio Ferreira e o cineasta Sérgio Nogueira.

O prémio para realizadores até 30 anos, foi atribuído a “Invasões Francesas” de César Santos, tendo ainda sido atribuída uma Menção Especial a “Querido Diário” de Bernardo Argêncio Fernandes.
O júri destes prémios foi constituído pelos críticos Germano Campos, Nuno Reis os cineastas Ana Luísa Lopes, Miguel Marques, Rita Morais, os artistas plásticos Domingos Júnior, Olga Santos e a programadora Judite Barros da Costa.

O prémio para cineastas com mais de 60 anos foi para “Um Café e 4 Segundos” de Cristiano Requião (Brasil) e “My Uncle Archimedes” de George Agathonikiadis (Rép. Checa) recebeu uma menção especial. O Júri foi constituído pelo cineasta David Rebordão, pelos críticos Germano Campos, Nuno Reis e a programadora Fátima Cabral.

A competição “Trailer in Motion” distinguiu o trailer “Aquarela” de Al Danuzio (Brasil) e o videoclipe “Mumiy Troll - Milota” de Sergey Valyaev (Rússia).  O júri, constituído pelo músico Sérgio Ferreira, os cineastas José Vieira e Hamilton Trindade, atribuiu ainda uma Menção Especial ao trailer “A Tua Vez” de Cláudio Jordão e David Rebordão.

Entretanto, na “AVANCA|CINEMA, Conferência Internacional Cinema – Arte, Tecnologia, Comunicação”, o Prémio Eng. Fernando Gonçalves Lavrador, em homenagem póstuma a um dos mais relevantes investigadores portugueses na área da semiótica, estética e teoria do cinema, distinguiu as investigadoras Helena e Maria do Rosário Santana da Universidade de Aveiro.
O júri deste prémio foi constituído pelos académicos Manuela Penafria, Cláudia Vaz, José da Silva Ribeiro, Denise Machado Cardoso (Brasil), Gloria Gómez-Escalonilla Moreno (Espanha) e Mari Makiranta (Finlândia).

No total, 10 júris constituídos por 48 individualidades de 9 países atribuíram 17 prémios e 8 menções especiais.

O AVANCA acontece todos os anos em Avanca e é uma organização do Cine-Clube de Avanca e do Município de Estarreja com o apoio do ICA/Ministério da Cultura, Instituto Português do Desporto e da Juventude, FCT, Junta de Freguesia e Paróquia de Avanca, Agrupamento de Escolas de Estarreja, para além de várias organizações internacionais e entidades locais.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

23º FESTIVAL DE CINEMA “AVANCA 2019” COM 36 ESTREIAS MUNDIAIS E FORTE PRESENÇA DO CINEMA PORTUGUÊS

O 23º Festival Internacional de Cinema AVANCA 2019 abre esta quarta-feira dia 24, pelas 21h45 no Auditório Paroquial de Avanca, com a cerimónia de entrega de prémios do ano anterior e com a estreia mundial de “A Tua Vez”, o mais recente filme dos cineastas Cláudio Jordão e David Rebordão. A forte presença do cinema português é mais uma vez uma marca deste festival que anualmente acontece na última semana de julho.

Entre os realizadores portugueses que estreiam filmes no AVANCA, estão Artur Serra Araújo (Flutuar), Bruno Mendes da Silva (Cadavre Exquise), José Miguel Moreira (Carnaval Sujo), Ricardo Machado (Stuka) e Tiago Afonso (Desvio) na seleção internacional e Alexandra Oliveira (Land), Casimiro Alves (A cor em Júlio Resende), Joaquim Pavão (inUTILIDADES), Luís Margalhau (Voar da ponta dos dedos), Luís Porto (Boca do Inferno), Rafael Marques (A menor resistência), Tiago Margaça (Ciclo) na Competição Avanca. Nesta competição são exibidos igualmente filmes de Gustavo dos Santos e José Vieira.

De forma inédita, marcando a primeira vez que em Portugal um festival de cinema organiza uma competição internacional de filmes em VR 360º (Realidade Virtual), vai permitir assistir-se a obras produzidas na Alemanha, Bélgica, Brasil, Canadá, Japão, México, Polónia, Roménia e Rússia. Portugal tem nesta competição dois filmes a concurso, produzidos na UTAD em Vila Real.

Nomeados para o Prémio Longa Metragem, estão os filmes “Eternal Winter” de Attila Szász (Hungria), “Elvis Walks Home” de Fatmir Koci (Albânia) e “The Bra” deVeit Helmer (Alemanha), que serão exibidas nas noites de quinta e sexta-feira.

Sendo um festival multigeracional, este ano a competição para cineastas com menos de 30 anos, reúne 18 filmes de realizadores portugueses. O Prémio Cineasta Sénior, para realizadores com mais de 60 anos, reúne 4 filmes em competição.

Paralelamente, serão exibidas mostras panorâmicas do cinema de Itália e do cinema do Maranhão (Brasil). O Panorama do Cinema Português reúne uma seleção de 12 filmes exibidos recentemente.

A noite de entrega de prémios será transmitida via internet, num direto assegurado por alunos de televisão e vídeo da Escola Profissional Val do Rio, de Oeiras.

Organizado pelo Cine Clube de Avanca e pelo Município de Estarreja, o festival decorre até dia 28 e tem o apoio do ICA / Ministério da Cultura, IPDJ, FCT, Junta de Avanca, DeCA / Universidade de Aveiro, Universidade de Coimbra, UTAD, IPB, ESAP, ESAD, Federação Internacional de Cineclubes, Agrupamento de Escolas e Paróquia de Avanca, para além de várias entidades locais.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

HOMENAGEM A UM DOS MAIORES CINEASTAS DO CINEMA EUROPEU, DUSAN MAKAVEJEV, ENTRE O AVANCA 2002 E 2019

O “23º AVANCA, Festival Internacional de Cinema” vai homenagear no sábado dia 27 de julho, um dos mais subversivos, anárquicos e anti globalização, de entre todos os grandes cineastas do cinema europeu.

A 25 de janeiro deste ano desaparecia Dusan Makavejev, um dos incontornáveis realizadores da história do cinema do século XX.
Em Belgrado, sua cidade de sempre, entre um tempo de Jugoslávia e agora Sérvia, entre as convulsões do seu país mas também da sua  vida e obra, Dusan Makavejev sempre por ali esteve, mesmo quando por lá não podia viver.

Makavejev foi o mais controverso, agitador e inesperado realizador Jugoslavo, marcou a história do cinema, sobretudo no tempo da Guerra Fria, com alguns dos mais brilhantes e originais filmes das últimas décadas.

Formado em Cinema e Psicologia, realizou cerca de 3 dezenas de filmes. Obras como "A Man is not a Bird" (1965), "Love Affair, or the Case of the Missing Switchboard Operator" (1967), "Innocent Unprotected" (1968), antecederam "W.R.-Mysteries of the Organism" que rodado em 1971 se veio a transformar no seu primeiro grande sucesso internacional.
Baseado nas teorias da psicologia sexual de Wilhelm Reich, este filme foi considerado "subversivo" na Jugoslávia e proibido até 1986. Makavejev, forçado a trabalhar no estrangeiro, rodaria "Sweet Movie" em França e Holanda (1974), "Montenegro" na Suécia (1981), "The Coca Cola Kid" na Austrália (1985), "Manifesto" na Croácia e USA (1988) e "Gorilla Bathes at Noon" na Alemanha (1993). Os seus filmes foram selecionados e várias vezes premiados em festivais como Berlim, Cannes, Chicago e São Paulo. O seu último filme "A Hole in the Soul", produzido pela BBC, é um auto-retrato intimista.

Makavejev, com sua posição anárquica às críticas político-sociais dos sistemas de direção económica, foi sempre um crítico contundente da globalização.

Em 2002 Dusan Makavejev esteve no Festival AVANCA onde dirigiu um workshop intitulado “Entre o Documento e a Ficção”, provocando intensos debates e um trabalho marcante.

A homenagem que o AVANCA agora lhe irá fazer, não poderá ser repetida em nenhum outro sítio, país ou momento. Será a memória desse workshop que estará presente nesta homenagem.

Nascido dos debates liderados pelo cineasta Dusan Makavejev, em torno do psicodrama e do documentário, o filme de longa metragem “Ruptura” de Miguel Marques viria a ser produzido e apresentado no festival AVANCA do ano seguinte, onde o júri lhe atribuiu uma Menção Especial.

“Ruptura” foi assim um projeto iniciado nos Encontros de Avanca de 2002 com a marca crucial de Makavejev.
O pressuposto (estudado na altura) foi pedir a um grupo de intervenientes que se familiarizassem com uma jovem desaparecida (Ana Lúcia, estudante de artes, com uma vida afetiva um pouco instável) e posteriormente colher os seus depoimentos. Pretendeu-se tornar claro o confronto entre discurso direto (no caso vários discursos diretos sobre uma personagem) e a personagem em si encarnada pela atriz Graça Ochoa, partindo das bases programáticas do psicodrama.
O filme inicia-se quando Ana Lúcia abandona todas as relações de até então e parte para lugar incerto.

A Homenagem irá acontecer pelas 18h30 no Auditório Paroquial de Avanca, no âmbito do festival que ali decorre, com as competições internacionais a acontecerem entre 24 e 28 deste mês.