quinta-feira, 27 de março de 2025

AZNAVOUR, LULU E OS “REALITY SHOWS” NO TEATRO AVEIRENSE


“Os Filmes das Nossas Terças” trás em abril um ciclo de cinema sobre o mundo do espetáculo.

É já dia 1 de abril, pelas 21h30, que “Monsieur Aznavour” é exibido no Teatro Aveirense, abrindo um ciclo de filmes que decorre durante o mês de abril sobre o mundo do espetáculo.

“Monsieur Aznavour” é um filme que nos faz descobrir o percurso excecional e intemporal de Charles Aznavour.

Filho de refugiados, pequeno, pobre, nada parecia indicar que pudesse conquistar o sucesso. Mas com trabalho e uma perseverança incomum, Aznavour tornou-se um monumento da canção, um símbolo da cultura francesa. Com centenas de canções, interpretadas em várias línguas, concertos no mundo inteiro, inspirou músicos de todas as gerações.

Realizado por Mehdi Idir e Grand Corps Malade, Aznavour é interpretado por Tahar Rahim que surge no filme acompanhado por atores como Bastien Bouillon, Marie-Julie Baup, Camille Moutawakil, Ella Pellegrini, Hovnatan Avedikian e Julien Campani.

 Com uma carreira iniciada aos nove anos no Théâtre du Petit Monde, o pequeno arménio nascido em Paris em 1924, chamado Shahnour Vaghinak Aznavourian, veio a ter uma carreira longa, brilhante e única, sendo mundialmente conhecido como Charles Aznavour.

O pai cantor e a mãe atriz foram a base para a sua escolha pelo mundo da canção onde é ainda hoje considerado um dos maiores compositores da história da música.

Com um repertório imenso, Aznavour escreveu ou co-escreveu cerca de mil canções, gravou 1200, cantou em seis línguas, lançou 91 álbuns de estúdio e vendeu mais de 180 milhões de discos. 

No cinema, Aznavour participou em mais de 80 filmes e telefilmes.

Sempre próximo da Arménia, quando milhares de pessoas perderam a vida no terramoto de 1988, criou a fundação Aznavour Pela Arménia e gravou, com a colaboração de mais de 80 artistas, a sua canção "Pour toi Arménie", um registo filmado pelo cineasta também de origem arménia Henri Verneuil. Uma canção que vendeu mais de um milhão de discos.

Aznavour faleceu no dia 1 de Outubro de 2018, aos 94 anos, deixando um legado valiosíssimo na música e na cultura popular.

Ficou conhecida a sua frase “Nada na minha vida aconteceu por acaso... exceto eu talvez”.

O ciclo de cinema sobre o mundo do espetáculo continua na terça-feira dia 8 com o filme “LULU”, que contará com a presença do protagonista Kinjolas, e no dia 15 com “Diamante Bruto”.

“LULU”, é um filme escrito e protagonizado por Pedro Anjos, numa comédia onde ele tenta a sorte em Hollywood. O filme foi rodado em Águeda.  “Diamante Bruto” é protagonizado por Liane, uma jovem de 19 anos, atrevida e arrebatada que vê nos reality shows a possibilidade de ser amada.

Com produção e curadoria da Plano Obrigatório – associação de produtores cinematográficos e audiovisuais, de Aveiro, os “Filmes das Nossas Terças” são acompanhados pela exibição de curtas metragens produzidas na região.

Como habitualmente, o preço do bilhete é de 4€, permitindo um  desconto de 50% com o Pack de abril. A sessão de cinema conta com o apoio do ICA / Ministério da Cultura e do Município de Aveiro.

segunda-feira, 17 de março de 2025

ÉMILIE DEQUENNE, PREMIADA EM CANNES E NO FESTIVAL AVANCA, DEIXA UM LEGADO INESQUECÍVEL NO CINEMA

A atriz belga Émilie Dequenne faleceu ontem, aos 43 anos, vítima de carcinoma adrenocortical, uma forma rara de cancro. Dequenne ganhou destaque internacional aos 17 anos ao vencer o Prémio de Melhor Atriz no Festival de Cannes de 1999, pela sua interpretação no filme "Rosetta", dos irmãos Dardenne.

Em 2002, a atriz foi distinguida com o Prémio de Melhor Atriz no Festival de Cinema de Avanca pela sua participação no filme "Oui, mais...", dirigido pelo cineasta francês Yves Lavandier, onde contracenou com Gérard Jugnot. Este reconhecimento reforçou a sua ligação ao cinema português e ao festival que, este ano, celebra a sua 29ª edição entre os dias 23 e 27 de julho.

Ao longo da sua carreira, Émilie Dequenne participou em cerca de 60 produções de cinema e televisão, incluindo "O Pacto dos Lobos" (2001) de Christophe Gans, “Esta terra é nossa” (2017) de Lucas Belvaux e "Le Grand Meaulnes" (2006) de Jean-Daniel Verhaeghe. Foi nomeada cinco vezes para os prémios César, vencendo um em 2021. Em 2012, recebeu novamente o Prémio de Melhor Atriz na secção Un Certain Regard do Festival de Cannes pelo seu papel no filme "À perdre la raison" de Joachim Lafosse.

A sua última participação de relevo foi no filme "Close", de Lukas Dhont, nomeado para Melhor Filme Internacional nos Óscares de 2023. A sua morte representa uma perda significativa para o cinema europeu, deixando um legado de interpretações marcantes que perdurarão na memória coletiva.

O Festival de Cinema de Avanca, que este ano se volta a realizar em julho, recorda Émilie Dequenne, o seu enorme contributo para o cinema europeu, nomeadamente para o cinema belga e francês, e presta homenagem à sua notável contribuição para a sétima arte.



domingo, 9 de março de 2025

"CRIADORES DE ÍDOLOS" É O MELHOR FILME PORTUGUÊS DO 45º FANTASPORTO 2025

"Criadores de Ídolos", realizado por Luís Diogo e produzido pelo Cine Clube de Avanca e pela Filmógrafo, acaba de ser distinguido com o Prémio de Melhor Filme Português no 45º FANTASPORTO, Festival Internacional de Cinema do Porto.

Tendo decorrido no histórico Cinema Batalha, o FANTASPORTO encerrou a edição deste ano com a entrega dos prémios. Na competição do Cinema Português, o júri desta vez escolheu uma longa-metragem: "Criadores de Ídolos".

Prometendo cativar o público com uma narrativa envolvente e atual, este filme destaca-se pelo seu olhar crítico sobre a fama, a influência mediática e os mecanismos por trás da construção de ídolos na sociedade contemporânea.

Rodado na Trofa, e em parte também em Castelo Branco, este filme revela uma jovem atriz, Rafaela Sá, que protagoniza o filme com os prestigiados atores José Fidalgo, Ricardo Carriço, Oceana Basílio e Virgílio Castelo.

No filme, Rafaela Sá é a Sofia que descobre que o pai (José Fidalgo) e o avô (Ricardo Carriço) pertencem à “Ordem dos Criadores de Ídolos”. Essa Ordem planeou e executou as mortes de Sócrates, John F. Kennedy, Elvis, Marylin Monroe, e muitos outros para os transformarem em Ídolos. Acreditam que os ídolos são necessários para inspirar os jovens e para promover valores nobres numa sociedade, cada vez mais repleta de ideias e pessoas fúteis. A sua morte é a única forma de imortalizar os mais nobres de entre eles. Contudo, até hoje, apenas os homens, filhos de elementos da Ordem, podiam integrar a Ordem. Agora, pela primeira vez, decidiram dar oportunidade a uma mulher. Se Sofia quer ser a primeira mulher a integrar a Ordem, deverá planear a morte de uma celebridade e transformá-la num ídolo.  

Com argumento e realização de Luís Diogo, esta é a sua quarta longa-metragem como realizador, num percurso marcado por prémios em festivais de cinema em todos os continentes. A presente distinção no FANTASPORTO, é o 78º prémio atribuído aos filmes realizador por Luís Diogo.

Todas as suas longas metragens anteriores foram concretizadas no contexto de produção do Cine Clube de Avanca e Filmógrafo.

"Criadores de Ídolos" foi apoiado pelo Município da Trofa, onde decorreu a maior parte das filmagens, mas também pelo Município de Castelo Branco e pelo ICA - Instituto do Cinema e do Audiovisual do Ministério da Cultura.

O Fantasporto 2025 reuniu o melhor do cinema de fantasia, terror e ficção científica, num ano marcado por uma presença muito forte do Japão e do cinema da Ásia.